Agosto de 2014
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MINASPETRO
nega pedidos dos frentistas

     O Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região - SINTRAPOSTO-MG recebeu e-mail do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (MINASPETRO) no dia 14 de agosto negando atendimento a todas as reivindicações dos frentistas incluídas na pauta apresentada à entidade patronal pelo SINTRAPOSTO-MG e por outras duas entidades que representam frentistas em Minas Gerais durante o encontro quadrimestral realizado entre o Sindicato patronal e as entidades trabalhistas no dia 13 de junho.

     No encontro, como se recorda, os representantes dos frentistas pediram ao MINASPETRO a concessão de antecipação salarial, reajuste da cesta básica de alimentos, fornecimento gratuito de lanches para os trabalhadores e a adoção urgente de diversas medidas de segurança contra assaltos a postos de combustíveis. 

     Prevista na cláusula 35ª da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria como encontro quadrimestral, a reunião aconteceu na sede do SINTRAPOSTO, em Juiz de Fora.

     A data-base (ocasião de reajuste salarial e renovação da Convenção) da classe é 1º de novembro, mas o SINTRAPOSTO pediu a realização de tal encontro a fim de solicitar ao Sindicato patronal a concessão de benefícios para os frentistas, principalmente a antecipação de reajuste salarial para a recomposição dos salários corroídos pela inflação.

     Durante a reunião, o presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, e o diretor da FENEPOSPETRO (Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo), Hozano Félix Silva, que representou também o Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Uberaba e Região, entregaram ao advogado do MINASPETRO, Klaiston Soares de Miranda Ferreira, único representante do Sindicato patronal no encontro, um ofício apresentando a pauta de reivindicações dos trabalhadores representados pelas entidades trabalhistas presentes.

     Na pauta, as entidades pediram que todos os salários da categoria fossem reajustados em 1º de julho de 2014, a título de antecipação salarial, mediante a aplicação da variação acumulada do IPCA verificada no período de 01/11/2013 a 31/05/2014. “Se o Sindicato patronal atendesse ao pedido, este índice, de 5%, seria aplicado aos salários de novembro de 2013, como forma de se repor as perdas salariais decorrentes da inflação do período de 01/11/2013 a 31/05/2014” – explicou Guizellini.

     As entidades pediram também que o valor da cesta básica de alimentos fosse reajustado em 30% a partir de 1º de julho de 2014, a título de antecipação de valores para reposição de perdas causadas pela inflação do período de 01/11/2013 a 31/05/2014.

     Também foi abordada nessa reunião a questão da necessidade de adoção urgente de medidas preventivas de segurança contra assaltos a postos de gasolina, já que em Juiz de Fora, por exemplo, a onda de ocorrências desse tipo tem sido terrível e assustadora, sendo que o número de assaltos a postos registrados neste ano já superou o total registrado em todo o ano passado. As entidades trabalhistas pediram que as empresas do setor fossem obrigadas a adotar imediatamente diversas medidas de segurança para inibir a ocorrência de assaltos a postos de combustíveis.

     A íntegra da pauta de reivindicações dos frentistas, contendo, inclusive, tais medidas de segurança (uma delas proibindo os postos de combustíveis de funcionarem entre 22:30 e 06:00 horas), está no site deste jornal (www.ocombate.com.br) ou no blog do Sindicato (sintrapostomg.blogspot.com).

     Na reunião, o advogado do Sindicato patronal garantiu que a resposta do MINASPETRO à pauta de reivindicações, bem como ao pedido de fornecimento gratuito de lanches, seria dada até o dia 15 de agosto de 2014. E na véspera do dia marcado, o Sindicato patronal enviou ao SINTRAPOSTO o seguinte e-mail:

     “Prezados Senhores;

     No dia 13 de Junho realizamos a nossa reunião quadrimestral que foi muito produtiva.

     O "Minaspetro" ficou de passar uma resposta até o dia 15/08 (amanhã), sobre as ponderações apresentadas pelos sindicatos profissionais naquela assentada.

     Todavia, após amplos debates sobre as propostas da categoria profissional com a Comissão de negociação coletiva, a Diretoria e a Assembleia do Minaspetro, a categoria econômica chegou à conclusão de que não é o momento oportuno de alteração das convenções coletivas de trabalhos vigentes, sendo necessário aguardarmos as negociações da data-base.

     Sendo só para o momento.

      Atenciosamente,

      Klaiston Soares Miranda - Coordenador Jurídico Trab./Sindical MINASPETRO / FECOMBUSTÍVEIS.

“SINTRAPOSTO cumpriu o seu dever de lutar por reposição de perdas, mas a classe patronal continua insensível” – diz Guizellini

      “É claro que nós, frentistas, esperávamos que a resposta do MINASPETRO aos nossos pedidos fosse positiva, concedendo principalmente antecipação de reajuste nos salários e no valor da cesta básica de alimentos, para reposição das perdas provocadas pela inflação, mas como o Sindicato patronal decidiu não atender aos justos clamores da categoria, só nos resta agora a luta durante a nossa campanha salarial que já vai começar nos próximos dias”. A declaração é do presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, em entrevista ao jornal “O Combate”, quando salientou que o SINTRAPOSTO resolveu pedir ao Sindicato patronal a concessão de antecipação de reajuste salarial para os empregados dos postos de combustíveis por causa das perdas salariais decorrentes da inflação.

     “Vale lembrar que a inflação acumulada desde 1º de novembro de 2013, quando houve o último reajuste salarial da categoria, chegou perto de 5% em 31 de maio de 2014, fazendo com que os frentistas tivessem perda salarial causada pela inflação acumulada neste ano e nos dois últimos meses do ano passado, da mesma forma que quase todas as outras categorias também tiveram perda salarial em virtude da inflação acumulada neste ano” - assinalou o sindicalista.

     Ele afirma que não sabe qual foi a perda salarial das outras categorias, mas no caso dos frentistas a perda salarial decorrente da inflação foi considerável. Por esta razão, Guizellini vê necessidade de se fazer uma reposição salarial para recompor os salários corroídos pela inflação. “Aliás, a mesma coisa acontece com o valor da cesta básica de alimentos, que também precisa de reajuste para recompor o seu poder aquisitivo. Mas a classe patronal continua insensível diante das necessidades e dos clamores dos trabalhadores"- ressalta o sindicalista.

     Segundo ele, "sempre que ocorre perda salarial, há um clamor dos trabalhadores no sentido de que seus salários sejam reajustados para reposição das perdas”. Por isso, o SINTRAPOSTO cumpriu o seu dever de lutar nesse sentido ao encaminhar os pedidos dos trabalhadores ao Sindicato patronal. “A entidade trabalhista fez a sua parte, cumpriu a sua obrigação, mas infelizmente o Sindicato patronal mais uma vez não se sensibilizou para as necessidades dos trabalhadores" - arremata o sindicalista.

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