Dezembro de 2011
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TRÊS RODADAS DE NEGOCIAÇÃO E FRENTISTAS AINDA NÃO TÊM
REAJUSTE SALARIAL
Sindicalista ressalta que demora na negociação prejudica mais
os empregadores do que os trabalhadores

À direita, Paulo Guizellini e Luiz Geraldo Martinho, respectivamente presidente e diretor-secretário do SINTRAPOSTO-MG, em reunião com a Comissão Negociadora do MINASPETRO (à esquerda), na sede do Sindicato patronal, em Belo Horizonte.

   O Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região - SINTRAPOSTO-MG realizou no dia 15 de dezembro a terceira rodada de negociação com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (MINASPETRO), objetivando a celebração da nova Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.
   Iniciada às 16h05min, a reunião, realizada na sede do Sindicato patronal, em Belo Horizonte, terminou às 18h20min.
   Os representantes dos trabalhadores e os da classe patronal ainda não chegaram a um acordo. Eles estão se divergindo principalmente sobre o índice de reajuste a ser aplicado aos salários dos trabalhadores, ao valor da cesta básica de alimentos e à PLR – Participação nos Lucros e Resultados das empresas. O presidente do  SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, disse que a proposta do MINASPETRO, apresentada na mesa de negociação, “é baixa e não atende às mínimas necessidades dos frentistas”.
   Diante da dificuldade de acordo, os dois Sindicatos, após mais de duas horas de negociação, acharam por bem marcar nova reunião. Os representantes do Sindicato dos frentistas queriam que a nova rodada de negociação fosse agendada para os próximos dias, mas o MINASPETRO disse que só podia se reunir novamente com o Sindicato dos trabalhadores no dia 1º de fevereiro de 2012. Diante da insistência do Sindicato trabalhista em antecipar a próxima rodada de negociação, o Sindicato patronal acabou concordando em marcá-la para o dia 27 de janeiro de 2012.

À esquerda, a presidente da Comissão de Negociação do MINASPETRO, Cássia Barbosa; Maurício da Silva Vieira e o advogado Klaiston Soares de Miranda Ferreira, do MINASPETRO. À direita, o advogado João Batista de Medeiros, integrante do Departamento Jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região – SINTRAPOSTO-MG; Paulo Guizellini e Luiz Geraldo Martinho, respectivamente presidente e diretor-secretário do SINTRAPOSTO-MG.

    Após lamentar o fato de mais uma vez o processo de negociação com o Sindicato patronal estar demorando muito para ser concluído, Guizellini lembrou que a demora na negociação coletiva sempre prejudica tanto os trabalhadores quanto os empregadores. E ressaltou: "Mas é claro que prejudica mais ainda os empregadores, pois quando o Sindicato patronal e o SINTRAPOSTO fecharem acordo e a nova Convenção Coletiva de Trabalho for celebrada, os empregadores terão de pagar todas as diferenças salariais acumuladas desde a data-base da categoria, ou seja, 1º de novembro, já que o aumento salarial terá efeito retroativo a esta data. E isso, evidentemente, vai sobrecarregar financeiramente os patrões" – explicou o sindicalista. Em seguida, ele acrescentou: “Pior é que os empregadores ainda terão de pagar os encargos sociais com multa por causa do atraso, já que pagam, nesse caso, fora do prazo”.
   Guizellini reconheceu que os trabalhadores, por sua vez, também são prejudicados pela demora do processo negocial. “Infelizmente, esta demora, causada unicamente pelo Sindicato patronal, prejudica também os trabalhadores, porque, assim, eles não recebem o reajuste salarial no tempo certo, ou seja, no mês seguinte à data-base”, disse o sindicalista.
   Mas ele ressaltou que o prejuízo dos trabalhadores não chega a ser tão grande quanto o prejuízo da classe patronal. E explicou: “Quando for celebrada a nova Convenção, os trabalhadores, que vinham recebendo salários sem reajuste, ganharão o aumento salarial e receberão todas as diferenças salariais acumuladas desde a data-base. Isso, às vezes, chega a ser uma boa ‘bolada’, como se eles tivessem feito uma caderneta de poupança para depósito do dinheiro correspondente ao reajuste salarial conquistado pelo Sindicato para a categoria”.
   Finalizando, Guizellini arrematou: "A verdade é que o atraso da negociação coletiva sempre prejudica os empregadores e os trabalhadores. Por isso, estamos sempre dispostos a fazer tudo o que pudermos para que o processo de negociação com o Sindicato patronal seja mais ágil. E tanto isso é verdade que encaminhamos a nossa pauta de reivindicações ao MINASPETRO com bastante antecedência, ou seja, no dia 16 de setembro de 2011, um mês e meio antes da nossa data-base e dois dias depois da assembleia geral que abriu a nossa campanha salarial. Fizemos, portanto, a nossa parte para a agilização da negociação salarial. Mas o Sindicato patronal só se dispôs a se reunir conosco para o início do processo de negociação no dia 10 de novembro. Agora, cabe perguntar: quem é que atrasa esta negociação coletiva?"

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