Fevereiro 2017
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Impasse na 6ª reunião aponta para greve dos frentistas

À esquerda, Rômulo Garbero, João Batista de Medeiros e Paulo Guizellini, respectivamente vice-presidente, advogado e presidente do SINTRAPOSTO-MG, participando da 6ª rodada de negociação com a Comissão Negociadora do MINASPETRO (à direita), na sede do Sindicato patronal, em BH, no dia 22 de fevereiro.

     O Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região – SINTRAPOSTO-MG, os outros Sindicatos de frentistas de Minas Gerais e a Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (FENEPOSPETRO) realizaram nos dias 9, 16 e 22 de fevereiro mais três rodadas de negociação com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (MINASPETRO), na sede da entidade patronal, em Belo Horizonte.

     Na sexta reunião, no dia 22, a Comissão Negociadora do MINASPETRO propôs reajuste de 6,5% nos salários e na cesta básica, além de uma PLR no valor de R$ 200,00 (duas parcelas de R$ 100,00), aumentando, assim, em 0,5% a sua proposta apresentada nas duas reuniões anteriores. Para o presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, tal proposta “é inaceitável e até indecente, porque representa mais arrocho salarial, estando muito abaixo das nossas expectativas e não atendendo às mínimas necessidades dos trabalhadores, razão pela qual foi veementemente rejeitada e repudiada por todos nós que representamos os frentistas deste Estado”.

     Segundo o sindicalista, “a sexta reunião praticamente não trouxe nenhum avanço no processo de negociação, pois a Comissão Negociadora do MINASPETRO avançou só um pouquinho na sua proposta, aumentando-a em apenas 0,5%, o que não representa coisa alguma em termos de melhoria salarial, sendo que todos os representantes dos trabalhadores consideraram tal avanço muito pequeno. E enquanto o Sindicato patronal insistir nessa proposta miserável de reajustar os salários dos funcionários dos postos de combustíveis de Minas Gerais com índice inferior ao índice da inflação oficial, que foi de 8,5% no período de 1º de novembro de 2015 a 31 de outubro de 2016, não há como nem conversarmos sobre fechamento de acordo. E para piorar ainda mais o processo de negociação, o pessoal do Sindicato patronal ainda chegou ao cúmulo do absurdo de propor uma PLR que é mais miserável ainda, no valor de duas parcelas de R$ 100,00, o que não tem nenhum cabimento e mostra claramente a vontade da entidade patronal de remunerar de maneira péssima o exaustivo trabalho dos empregados dos postos de combustíveis”.   

     Assim, decorridos quatro meses da data-base da categoria (1º de novembro), os frentistas de Minas continuam em plena campanha salarial e agora já falam até em greve. É que o MINASPETRO se recusou terminantemente a avançar mais na sua proposta, e isso deixou configurado o impasse, que está indicando a deflagração de uma greve nos postos de combustíveis de Minas Gerais.

     Todos os Sindicatos que representam os empregados dos postos de combustíveis neste Estado, inclusive a Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo - FENEPOSPETRO (que representa os frentistas onde não há base territorial de Sindicato da categoria), os quais estão atuando em conjunto, com pauta unificada, estão se movimentando de várias maneiras com vistas à mobilização da categoria, inclusive distribuindo nos postos de combustíveis boletins que repudiam o posicionamento do MINASPETRO no processo de negociação e conclamam os trabalhadores à deflagração de uma greve por tempo indeterminado nos postos de combustíveis de Minas Gerais. “Sabemos que é muito difícil a deflagração de uma greve da categoria, mas a nossa campanha salarial continua muito difícil, e do jeito que as coisas estão indo, com a insensibilidade e o endurecimento do Sindicato patronal, recusando-se a conceder aos trabalhadores um aumento salarial que seja pelo menos digno, é bem provável que a categoria resolva paralisar suas atividades até que os patrões reconheçam que nós, frentistas, merecemos um salário digno e não podemos sofrer mais achatamento salarial” – ressalta Guizellini, que na reunião estava acompanhado pelo vice-presidente e pelo diretor-secretário do SINTRAPOSTO-MG, respectivamente Rômulo de Oliveira Garbero e Luiz Geraldo Martinho, e também pelo advogado João Batista de Medeiros, integrante do Departamento Jurídico da entidade.

Impasse pode ser resolvido pelo Ministério do Trabalho. Ou até mesmo pela Justiça

     Diante da dificuldade de acordo na negociação direta com o MINASPETRO, os representantes dos trabalhadores resolveram pedir a mediação do Ministério do Trabalho e Emprego, e assim deverá ser marcada nos próximos dias uma reunião na sede daquele órgão, em Belo Horizonte, para realização da sétima rodada de negociação. Se, contudo, o impasse continuar, os representantes dos frentistas não descartam a possibilidade de, além da greve, também suscitar dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, sediado na Capital mineira, para que a Justiça solucione o problema que está impedindo que os empregados dos postos de combustíveis de Minas Gerais recebam novos valores de salário, PLR e cesta básica de alimentos. “Esperamos que não haja necessidade de recorrermos à Justiça, mas se o Sindicato patronal continuar irredutível em sua proposta de arrocho salarial, não teremos outra saída senão o dissídio, quando, então, vamos provar judicialmente que os postos de combustíveis de Minas Gerais têm condições, sim, de pagar salários mais condizentes com as necessidades dos trabalhadores, pois possuem margem de lucro suficiente, e até folgada, para isso” – assinala Guizellini.  


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