Junho 2018
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Guizellini afirma que salário dos frentistas de MG é um dos mais baixos do País

O presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, junto com frentistas em um posto de combustíveis no interior de MG. (Foto: Arquivo “O Combate”).

Após a 14ª reunião com o MINASPETRO (ver matéria na página 2), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região – SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, disse que a proposta do Sindicato patronal é “inaceitável” porque “não atende às mínimas necessidades dos trabalhadores dos postos de combustíveis de Minas Gerais, representa mais arrocho salarial e pretende retirar importantíssimos direitos já conquistados pelos trabalhadores ao longo da nossa histórica luta sindical”.

     Guizellini afirmou que “entre os empregados dos postos de gasolina do Brasil, os de Minas Gerais são os que recebem um dos salários básicos mais baixos de todos”. Segundo ele, “os frentistas do Estado de São Paulo, inclusive nas menores cidades daquele Estado, recebem salário-base de R$ 1.217,00, além do adicional de periculosidade de 30%, e tíquete-refeição no valor de R$ 18,00 por dia, enquanto em Minas Gerais o salário-base do frentista continua sendo de apenas R$ 1.043,24, por culpa do Sindicato patronal, que não se sensibiliza diante das necessidades dos trabalhadores”.

     Em seguida, o sindicalista acrescentou: “Essa disparidade gera uma odiosa e detestável distorção que incomoda muito os empregados dos postos localizados nas cidades mineiras que fazem divisa com São Paulo, pois enquanto os frentistas daquele Estado recebem salário-base de R$ 1.217,00, os nossos companheiros trabalhadores recebem salário-base de apenas R$ 1.043,24”.

 

“Só em MG, que tem a 3ª maior vendagem de combustíveis do País, acontece achatamento salarial”

     Guizellini salientou que os frentistas têm conseguido grandes avanços em outros Estados. “Os frentistas de Santa Catarina, por exemplo, já têm salário-base superior até mesmo ao dos frentistas do Estado de São Paulo, pois o piso salarial deles é de R$ 1.234,20” – afirmou o sindicalista.

     Em seguida, ele citou outro exemplo: “No Mato Grosso do Sul, o piso salarial dos frentistas é de R$ 1.167,60 desde março do ano passado. Os funcionários que trabalham no período noturno, além de receberem os 30% de periculosidade sobre o piso, recebem ainda 30% de adicional noturno sobre sua remuneração, perfazendo um salário de R$ 1.973,24 mensais. E os salários deles estão prestes a ser reajustados porque a categoria está em plena campanha salarial, já que a sua data-base é 1º de março”.

     Isso levou Guizellini a dizer com irritação e revolta: “Só em Minas Gerais, que tem a terceira maior vendagem de combustíveis do País, acontece este achatamento salarial que tanto atormenta e aborrece os empregados dos postos de combustíveis deste Estado, porque o Sindicato patronal é insensível aos clamores e às necessidades básicas dos trabalhadores”.

     Para Guizellini, “o baixo salário praticado em Minas pode causar uma ‘epidemia’ de fuga de trabalhadores nos postos de gasolina no Estado, ou seja, os trabalhadores podem desistir de trabalhar como frentistas”.

     Por isso, ele acha que em Minas Gerais também é hora de mudanças no enfrentamento da questão salarial dos frentistas. “Estamos atuando em conjunto com a Federação e outros Sindicatos co-irmãos, e esta união fortalece a nossa luta por melhorias salariais e melhores condições de trabalho para que os frentistas do nosso Estado também tenham uma vida digna, mas esses companheiros trabalhadores precisam se unir em torno da direção do Sindicato de maneira total e consistente, para o próprio bem deles mesmos, pois só assim a nossa campanha salarial poderá ser coroada de êxito. Afinal, só a união faz a força, e é dela que estamos sempre precisando, principalmente durante a nossa campanha salarial” – ressaltou o sindicalista.

 

“Dados da ANP referentes aos grandes volumes de combustíveis vendidos pelos postos derrubam alegação patronal de prejuízo com a venda desses produtos”.

     Continuando, o presidente do SINTRAPOSTO-MG enfatizou: “Acho que o MINASPETRO deveria dar mais valor ao trabalho dos frentistas de Minas Gerais, pois eles, assim como seus colegas dos outros Estados, derramando diariamente o seu suor em seus locais de trabalho, também proporcionam lucros fabulosos aos seus patrões”.

     Segundo Guizellini, “todo ano, na hora da negociação coletiva para a concessão de reajuste salarial e outros benefícios aos frentistas, os proprietários dos postos de combustíveis aparecem com tremenda choradeira’ na mesa de negociação, dizendo que não estão tendo lucros, estão operando no vermelho, etc. Mas todo mundo sabe que os postos de combustíveis, tanto em Minas Gerais quanto nos outros Estados, sempre conseguiram e têm conseguido grandes faturamentos, principalmente neste momento em que tanto se especula com esses produtos, em consequência da recente greve dos caminhoneiros”.

     Finalizando, Guizellini assinalou: “Os postos de combustíveis estão vendendo muito e aumentando os preços, embora a Petrobras esteja baixando os preços nas suas refinarias. Pesquisa realizada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis) mostra que neste mês, até o dia 15 de junho, os preços da gasolina diminuíram só 0,9% nos postos, enquanto a Petrobras, no mesmo período, baixou mais de 5,5% o preço do litro da gasolina. E o consumo nunca diminui. Só aumenta. Cresce vertiginosamente a cada dia não só em Minas, mas em todo o Brasil, apesar dos constantes aumentos dos preços nos postos”.

     O sindicalista lembra que na página da ANP “estão todos os dados dos grandes volumes de combustíveis vendidos pelos postos de Minas Gerais, inclusive os valores de compra das distribuidoras. E esses dados incontestáveis, esses números da ANP, que podem ser acessados na página da Agência, fazem ruir por terra qualquer ‘choradeira’ ou argumento de qualquer dono de posto que alegue prejuízo com a venda de combustíveis em qualquer cidade não só deste Estado, mas de todo o País”.

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