Maio de 2014
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Assaltos a postos aumentam de modo alarmante

     Dados da Polícia Militar mostram que aumentou assustadoramente o número de assaltos a postos de combustíveis em Juiz de Fora. Em 2013 foram registrados 42 assaltos a esses estabelecimentos, enquanto no período de janeiro a abril de 2014 foram registrados 32 casos. Assim, só nos quatro primeiros meses de 2014 o número de ocorrências já chegava a quase 80% do total registrado ao longo de todo o ano passado. E como neste mês de maio também houve muitos assaltos a postos, acredita-se que o número de ocorrências desse tipo já seja igual (ou quase igual) ao total registrado em 2013.
     Em entrevista ao jornal “O Combate”, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região - SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, disse que “esses dados são altamente preocupantes, pois se a escalada da violência contra frentistas continuar nesse ritmo acelerado e alarmante, teremos no final deste ano um horroroso crescimento de 100% (ou mais) no índice de assaltos a postos de combustíveis, pois se em menos de seis meses o número de ocorrências já é igual (ou quase igual) ao total registrado em 2013, é bem provável que no final de 2014 já deverá ter sido registrado o dobro (ou talvez até mais que o dobro) do total de ocorrências registrado no ano anterior”.
     Guizellini se mostrou muito preocupado com a integridade física de todos os frentistas, mas principalmente daqueles que trabalham à noite, quando os assaltos são mais frequentes. “Conforme falei em entrevista à Tv Integração no último dia 7 de maio, quero reiterar a minha enorme preocupação com a ocorrência desse grande número de assaltos a postos de gasolina na Cidade, pondo em risco a saúde e a vida dos trabalhadores, bem como dos transeuntes e clientes dos postos” - assinalou o sindicalista.
     Ele ressaltou que os casos de transtornos psíquicos ou agressões físicas a frentistas, em decorrência de assalto, ficando comprovado o nexo causal, são considerados acidentes de trabalho, sendo obrigatória a emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
     Guizellini destacou que o posto de combustíveis não pode descontar do salário do frentista o valor do prejuízo causado à empresa pelo assaltante, pois a legislação vigente diz que o risco do empreendimento é do empregador. E, ainda segundo o sindicalista, “dependendo do caso, o frentista pode até ter direito a receber indenização por danos materiais e morais em consequência de assalto”. Por isso, ele sugere a todos os frentistas assaltados no local de trabalho que se dirijam ao Sindicato, na Rua Halfeld, nº 414, sala 609, para a tomada de providências cabíveis.

A Polícia Militar sempre aconselha a não reagir a assalto.
(Foto: Arquivo O Combate)
“Frentista não pode e não deve enfrentar ou identificar bandido. Isso é função da polícia”

     O presidente do SINTRAPOSTO afirmou que o Sindicato sempre orienta o trabalhador a não reagir a assalto e lembrou que a orientação da PM nesses casos é exatamente esta. “Não faz parte das funções do frentista enfrentar ou identificar bandido, isso é função da polícia. O frentista deve sempre ser orientado a não reagir quando for abordado por ladrões, pois a reação a assalto é sempre muito perigosa” – salientou Paulo Guizellini.
     Ele voltou a sugerir a contratação de mais frentistas para o trabalho noturno. “A presença de apenas um ou dois frentistas deixa o posto muito vulnerável, atraindo ladrões, ao passo que a presença de um número maior de frentistas deixaria o posto mais movimentado, o que certamente inibiria a ação de larápios. Mas se o posto não quiser contratar mais frentistas para o trabalho noturno, então deve fechar às 22 horas” – afirma o sindicalista.
Guizellini sugeriu também a instalação de câmeras de vídeo em todos os cerca de 60 postos de combustíveis existentes na Cidade, salientando que “isso é outra forma de intimidar os assaltantes”.
     O sindicalista ressaltou que “a insegurança nos postos de gasolina, principalmente à noite, por causa da onda de assaltos, tornou-se tão grande que alguns frentistas estão até pedindo demissão do emprego, com receio de serem vítimas de um mal maior, pois só não houve ainda morte de frentista em assalto a posto porque eles ainda estão tendo muita sorte, apesar de tudo”. Em seguida, Guizellini alertou: “Mas se os donos de postos de combustíveis e as autoridades responsáveis pela segurança pública não tomarem urgentemente providências capazes de conter essa onda de assaltos, daqui a pouco vamos começar a ver isso no noticiário local, desgraçadamente, porque os frentistas estão constantemente em perigo, correndo sério risco de morte por causa do aumento vertiginoso do número de assaltos a postos de gasolina”.
     Por isso, o sindicalista considera extremamente importante a realização de um trabalho de parceria entre as autoridades, como a Polícia Militar, por exemplo, e os Sindicatos (o trabalhista e o patronal), com o propósito de evitar que novos assaltos aterrorizem os trabalhadores e prejudiquem os postos de combustíveis.
     Pedindo providências à classe patronal e às instituições responsáveis pela segurança pública, Guizellini reafirmou a necessidade da adoção urgente de uma série de medidas eficientes e eficazes para inibir a ação de bandidos e aumentar a segurança nos postos de gasolina da Cidade.

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