Maio de 2016
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Abastecer o veículo após o acionamento da trava de segurança da bomba do posto de gasolina acarreta sérios prejuízos à saúde dos frentistas e até dos motoristas, além de danos ao meio ambiente e aos veículos abastecidos
Lei proíbe encher tanque até a boca

Após conseguir a criação da Lei 13.364, que proíbe encher o tanque do veículo até a boca na hora de abastecê-lo nos postos de combustíveis de Juiz de Fora, Sindicato quer agora que esse antigo costume seja proibido em todo o Estado de Minas Gerais

A foto (do Arquivo “O Combate”) mostra o presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini (o primeiro à direita), ao lado de frentistas em um posto de combustíveis de Juiz de Fora.

     O prefeito Bruno Siqueira (PMDB) sancionou no dia 18 de maio a Lei 13.364, que proíbe encher o tanque do veículo até a boca na hora de abastecê-lo nos postos de combustíveis de Juiz de Fora.

     O descumprimento da norma vai acarretar ao posto infrator multa no valor entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00. Os valores arrecadados irão para o Fundo Municipal de Saúde e serão aplicados nos Programas de Saúde do Trabalhador e em ações de meio ambiente. 

     O antigo costume de se abastecer o veículo após o acionamento da trava de segurança da bomba do posto de gasolina acarreta sérios prejuízos à saúde dos frentistas e dos motoristas que abastecem veículos, bem como provoca danos ao meio ambiente e aos veículos abastecidos.

     O projeto de lei sancionado pelo prefeito foi aprovado em segunda discussão pela Câmara Municipal no dia 19 de abril e é de autoria do vereador José Emanuel (PSC), que o aprimorou por meio de emendas apresentadas em conjunto com o vereador José Laerte (PSDB).

     José Emanuel elaborou e apresentou tal projeto a partir de um pedido lhe formulado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região – SINTRAPOSTO-MG.

     Desde abril do ano passado, o Sindicato vem lutando contra esse antigo costume de se abastecer o veículo após o acionamento da trava de segurança da bomba do posto de gasolina. Inclusive, na negociação coletiva referente à data-base de 1º de novembro de 2015, a entidade conseguiu incluir na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria a cláusula quadragésima, que dispõe sobre a segurança e saúde do trabalhador, determinando que “ao abastecer os veículos, o frentista tem que manter distância da bomba e jamais se aproximar do tanque do automotor, somente o fazendo quando o gatilho do bico da bomba desarmar; e não insistir no abastecimento após o desarme automático do bico da bomba”.

ASSASSINO SILENCIOSO

     Esse antigo costume de se encher o tanque do veículo até a boca, aparentemente inofensivo, está sendo chamado de “assassino silencioso” porque pode até levar à morte muitos frentistas, sem que ninguém perceba. É um perigo que não provoca qualquer alarde, nenhum barulho. Pelo contrário, o silêncio é completo. E quando o frentista começa a sentir as consequências dos males causados por esse “assassino silencioso”, já é tarde, o frentista já está contaminado, ficando com a saúde abalada e correndo sério risco de morte.

     O alerta é da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), que publicou um estudo mostrando que a intoxicação proveniente do benzeno causa efeitos como alucinação, taquicardia, distúrbio da palavra, pulso débil e depressão. Tais efeitos podem evoluir para coma e até morte. Os frentistas dos postos de combustíveis são os maiores prejudicados, pois estão constantemente expostos aos gases nocivos ao organismo. 

     Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o tanque de combustível completamente cheio libera benzeno, substância encontrada na gasolina e considerada cancerígena.

     O benzeno, quando vaporizado no ambiente, penetra no organismo pelas vias respiratórias, cai na corrente sanguínea e depois se oxida no fígado. 

DANOS TAMBÉM AO VEÍCULO

     Além de prejudicar a saúde dos frentistas, o hábito de se encher o tanque até a boca causa danos também ao veículo.

     De acordo com os manuais de automóveis vendidos no Brasil, o volume máximo de combustível permitido em um tanque, para que não cause danos aos veículos, não é até a sua capacidade máxima, mas sim até o travamento da bomba. 

     Os carros fabricados no Brasil estão equipados com um recipiente chamado cânister, filtro de carvão que absorve os vapores do combustível. Quando o frentista aciona mais do que a capacidade do tanque, o combustível se acumula nos dutos e encharca o cânister, que deixa de cumprir sua função. O excesso de combustível atrapalha o gerenciamento eletrônico do motor e o cânister molhado libera pequenas partículas de carvão no combustível, produzindo, assim, falhas no motor.

     Segundo os especialistas, completar o tanque só até o desarme automático (quando a própria bomba de abastecimento se desliga automaticamente) diminui a exposição do frentista e do motorista ao benzeno, bem como evita danos ao veículo e ao meio ambiente.

“Que isso seja proibido em todo o Estado”

     O SINTRAPOSTO-MG vai iniciar nos próximos dias uma campanha destinada a combater o costume de se encher o tanque dos veículos até a boca. A campanha vai buscar a conscientização popular, chamando a atenção para a importância de se completar o tanque só até o desarme automático.

     O presidente do Sindicato, Paulo Guizellini, informou que a entidade vai distribuir panfletos orientando os frentistas e os motoristas sobre os perigos representados por esse “assassino silencioso”. Segundo o sindicalista, o objetivo da campanha “é combater o costume de se encher o tanque até a boca sensibilizando esses trabalhadores e os condutores de veículos para a importância e a necessidade de se acabar com essa atitude tão nociva”.

     Tendo em vista que essa prática já é proibida por lei em vários Estados, Guizellini quer que esse costume seja proibido também em todo o Estado de Minas Gerais. Segundo ele, “o Sindicato vai buscar apoio da Assembleia Legislativa mineira para que seja criada uma lei que proíba neste Estado o mau hábito de se encher o tanque até a boca”. E o sindicalista arrematou: “É muito importante que isso seja proibido também em todo o nosso Estado”.

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