Março 2018
página 2
 
 
Trabalhadores repudiam proposta “indecente e absurda” de acabar com vários direitos conquistados com muito trabalho ao longo da história de sua exaustiva luta sindical
Impasse na 11ª reunião indica greve dos frentistas de MG

O presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini (o 3º à esquerda), participando da 10ª reunião com a comissão negociadora do MINASPETRO (à direita), no SINPOSPETRO-BH, no dia 6 de março.

     As oito entidades sindicais que representam os empregados nos postos de combustíveis de Minas Gerais, entre as quais o Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região – SINTRAPOSTO-MG, realizaram mais duas rodadas de negociação direta com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais – MINASPETRO. Uma na sede da entidade patronal, em Belo Horizonte, no dia 27 de fevereiro, e outra na sede do SINPOSPETRO-BH, também na capital mineira, em 6 de março. Além disso, realizaram no dia 13 de março nova reunião de mediação no Ministério do Trabalho, também em BH.

     Nessas três reuniões, a comissão negociadora do MINASPETRO manteve a mesma proposta apresentada nas reuniões anteriores, quando ofereceu reajuste salarial pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) dos últimos 12 meses (1,83%) dividido em duas parcelas de 0,915%, uma em novembro de 2017 e a outra em março de 2018. Como o atual valor do “salário básico mensal” (garantia mínima) dos frentistas de Minas Gerais é de R$ 1.043,24, este valor passaria, em 1º de novembro de 2017, para R$ 1.052,78, representando um reajuste salarial de R$ 9,54.  Em março de 2018 haveria novo reajuste de R$ 9,54.

    Ainda de acordo com a proposta do Sindicato patronal apresentada nas 11 reuniões, a cesta básica de alimentos ou vale-alimentação passaria de R$ 120,00 para R$ 122,20, recebendo o mesmo índice de reajuste de 1,83% dividido em duas parcelas de 0,915%.

     E a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) das empresas seria de R$ 330,00, sendo que os representantes dos frentistas querem que a PLR neste ano seja superior a R$ 660,00 porque ela já ficou congelada em R$ 660,00 nos últimos três anos.

     O Sindicato patronal apresentou também proposta de redução do adicional de hora extra da classe, baixando-o de 70% (percentual previsto na última Convenção Coletiva de Trabalho da categoria) para 50%, mesmo percentual previsto na Constituição Federal como percentual mínimo.

     Além disso, o MINASPETRO quer acabar com a garantia, prevista na última Convenção, de descanso semanal remunerado em pelo menos dois domingos por mês, passando tal garantia para apenas um domingo por mês; reduzir para meia hora o intervalo para descanso e alimentação, que hoje é de uma hora; criar “banco de horas” de um ano para o patrão não mais precisar pagar horas extras trabalhadas, compensando-as em outros dias; e até mudar os feriados, passando-os para outros dias de interesse dos patrões.

Representantes dos frentistas rejeitam proposta patronal

O presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini (à esquerda), ao lado do advogado João Batista de Medeiros, integrante do Departamento Jurídico da entidade, falando durante a 9ª reunião com a comissão negociadora do MINASPETRO (à direita), no Sindicato patronal, em BH, no dia 27 de fevereiro.

      Para o presidente do SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, a proposta patronal “é inaceitável e até indecente, porque representa mais arrocho salarial, estando muito abaixo das nossas expectativas e não atendendo às mínimas necessidades dos trabalhadores, além de significar o fim de vários direitos dos frentistas conquistados com muito trabalho ao longo da história da nossa exaustiva luta sindical, razão pela qual tal proposta indecente e absurda foi veementemente rejeitada e repudiada por todos nós que representamos os frentistas deste Estado”.

     Segundo o sindicalista, “enquanto o Sindicato patronal insistir nessa proposta miserável e mesquinha, que não tem nenhum cabimento e mostra claramente a vontade da entidade patronal de remunerar de maneira péssima o exaustivo trabalho dos empregados dos postos de combustíveis, não há possibilidade de acordo”.

     Assim, decorridos quase cinco meses da data-base da categoria (1º de novembro), os frentistas de Minas continuam em plena campanha salarial e agora já falam até em greve. É que, na última reunião, no dia 13 de março, o MINASPETRO se recusou terminantemente a avançar na sua proposta, dizendo que se trata de “proposta final e definitiva”, e isso deixou configurado o impasse, que está indicando a deflagração de uma greve nos postos de combustíveis de Minas Gerais.

     Todos os Sindicatos que representam os frentistas neste Estado, e também a Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo - FENEPOSPETRO (que representa os frentistas onde não há base territorial de Sindicato da categoria), os quais estão atuando em conjunto, com pauta unificada, estão se movimentando de várias maneiras com vistas à mobilização da categoria, inclusive formaram um movimento chamado de “Frente Mineira dos Frentistas” e estão distribuindo nos postos de combustíveis boletins que repudiam o posicionamento do MINASPETRO no processo de negociação e conclamam os trabalhadores à deflagração de uma greve por tempo indeterminado nos postos de combustíveis de Minas Gerais. “Sabemos que é muito difícil a deflagração de uma greve da categoria, mas a nossa campanha salarial continua muito difícil, e do jeito que as coisas estão indo, com a insensibilidade e o endurecimento do Sindicato patronal, recusando-se a conceder aos trabalhadores um aumento salarial que seja pelo menos razoável, e até querendo acabar com direitos já conquistados e dos quais não podemos abrir mão de maneira alguma, é bem provável que a categoria resolva paralisar suas atividades até que os patrões reconheçam que nós, frentistas, merecemos um salário digno e não podemos sofrer mais achatamento salarial, assim como não podemos nem pensar em perder direitos já conquistados ao longo da nossa luta” – ressalta Guizellini.

2011 © Direitos reservados Jornal O Combate    -    web por: GFT artes gráficas