Outubro de 2012
página 2
 
 
Assaltos a postos de gasolina continuam a
ameaçar trabalhadores

      O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região - SINTRAPOSTO-MG, Paulo Guizellini, falando ao “O Combate”, informou que a entidade vai realizar uma reunião com os empregados dos postos de gasolina de Juiz de Fora, principalmente os que trabalham à noite, para tratar da questão da onda de assaltos a postos de combustíveis na Cidade.
     O sindicalista voltou a cobrar do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (MINASPETRO) a adoção de medidas concretas para inibir assaltos a postos de gasolina em Juiz de Fora. “Os roubos continuam a ocorrer, pondo em risco a integridade física de frentistas, transeuntes e clientes desses estabelecimentos, enquanto o Sindicato patronal e as instituições responsáveis pela segurança pública não tomam medidas concretas capazes de conter essa onda de assaltos” – salientou Guizellini.
     O sindicalista disse que “muitos frentistas já não estão mais aceitando trabalhar à noite e alguns até estão pedindo demissão do emprego por causa da onda de assaltos, a exemplo do que também já vem acontecendo em outras cidades, como, por exemplo, Uberlândia, onde os postos de combustíveis estão enfrentando dificuldades para contratar funcionários por causa dos inúmeros assaltos a esses estabelecimentos”.

A Polícia Militar aconselha o frentista a não reagir a assalto.
(Foto: Arquivo)
SINTRAPOSTO encaminhou ao MINASPETRO proposta de adoção de várias medidas de segurança, mas Sindicato patronal não agiu

     Guizellini lembra que o SINTRAPOSTO já fez a sua parte, ou seja, já tomou as providências que lhe cabiam, promovendo reuniões com o MINASPETRO e representantes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal para tratar do assunto, além de elaborar e encaminhar ao MINASPETRO uma minuta de Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho da categoria prevendo a adoção de medidas preventivas, como, por exemplo, a instalação de câmeras de circuito interno de TV nos postos de combustíveis, conforme ficou definido na reunião realizada entre as referidas entidades em 18 de maio de 2009 na sede da Gerência (ex-Subdelegacia) Regional do Trabalho e Emprego em Juiz de Fora (GRTE/JF).
     Nessa reunião, o representante da Polícia Civil, delegado Francisco Rezende, após esclarecer que sua atuação como polícia judiciária se restringe à persecução criminal, agindo somente depois de ocorrido o crime e não possuindo ações preventivas, que são da competência da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal, reforçou o argumento de que há necessidade de ações preventivas no combate aos assaltos e destacou a importância da instalação de dispositivos de segurança nos postos para ajudar a Polícia a colher provas que podem ser importantíssimas na apuração do crime, como, por exemplo, a própria identificação dos criminosos.
     Ficou decidido, então, que o SINTRAPOSTO-MG encaminharia ao MINASPETRO uma minuta de Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho da categoria prevendo a adoção de várias medidas de segurança. Os representantes do MINASPETRO se comprometeram a dar uma resposta por escrito ao SINTRAPOSTO-MG no prazo de 30 dias após o recebimento da minuta.
     Imediatamente, ou seja, em apenas dez dias, o SINTRAPOSTO-MG providenciou tudo, elaborando a minuta e a encaminhando ao MINASPETRO. O presidente do SINTRAPOSTO-MG entregou o documento ao diretor regional do MINASPETRO, Carlos Alberto Jacometti, no dia 28 de maio de 2009, cumprindo o que ficou decidido na reunião.
     Em ofício datado de 05/06/2009, enviado ao SINTRAPOSTO-MG, o MINASPETRO acusou o recebimento da “Minuta de Adendo à CCT de classe” e informou que “em cumprimento de nosso Estatuto Social, vamos levar o assunto para apreciação de nossa Assembleia Geral, que será oportuna e brevemente convocada”. Só que até hoje o MINASPETRO ainda não deu nenhuma resposta mais satisfatória ao SINTRAPOSTO-MG, informando-lhe se foi realizada a referida Assembleia e se esta se pronunciou ou não a respeito do assunto. “Ao que tudo indica, o Sindicato patronal simplesmente ignorou o que se comprometeu a fazer” – frisa Guizellini.
     No dia 10 de agosto de 2010, em mais uma reunião na GRTE/JF, entre o SINTRAPOSTO-MG e o MINASPETRO, o assunto foi abordado mais uma vez, e a direção regional do MINASPETRO pediu que o SINTRAPOSTO-MG encaminhasse novamente à sede do Sindicato patronal, em Belo Horizonte, a mesma minuta de Termo Aditivo que já havia sido enviada. Assim, a minuta foi novamente endereçada ao MINASPETRO, mas ele novamente não se dispôs a tratar do assunto, dizendo de novo que o faria somente na ocasião da negociação coletiva referente à data-base da categoria, ou seja, só no final daquele ano. Porém, aquela data-base passou e, mais uma vez, o Sindicato patronal não tocou no assunto.
     O sindicalista reafirmou que o SINTRAPOSTO-MG, mesmo sem uma resposta satisfatória do MINASPETRO, vai continuar se movimentando na defesa dos trabalhadores e no sentido de conter essa onda de assaltos a postos de gasolina.

Sindicalista aconselha trabalhador a não reagir a assalto

     Na entrevista a este jornal, Guizellini voltou a aconselhar o trabalhador a não reagir a assalto, lembrando que um dos representantes da Polícia Militar na reunião de 18/05/2009, o capitão Garrido, elogiou e endossou a sua fala quando ele (Guizellini) afirmou que o Sindicato sempre orienta o trabalhador a não reagir a assalto. Na ocasião, o sindicalista perguntou qual a orientação da PM nesses casos, e o capitão Garrido respondeu: “Realmente, o frentista deve ser orientado a não reagir quando for abordado por ladrões, pois a reação a assalto é sempre muito perigosa”.
     De acordo com Guizellini, qualquer funcionário de posto que for assaltado deve imediatamente chamar a Polícia para registrar a ocorrência e comunicar o fato ao SINTRAPOSTO-MG, podendo fazê-lo pelos telefones 3216-3181 e 3213-7565, para que a entidade possa tomar as providências cabíveis.
     Segundo o sindicalista, se as câmeras não estiverem ligadas ou funcionando a contento e o local de trabalho não apresentar iluminação adequada, o posto de gasolina será responsabilizado pela negligência da empresa em providenciar a segurança do trabalhador em seu local de serviço. “Os dispositivos de segurança são importantes tanto para a proteção da integridade física dos trabalhadores como também para a proteção do patrimônio da empresa. Assim, o próprio empresário do setor tem que ter interesse nesta questão” – frisa Guizellini.

2011 © Direitos reservados Jornal O Combate    -    web por: GFT artes gráficas