Silas avalia Bolsonaro e fala da campanha salarial dos comerciários

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Silas Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Juiz de Fora

Em entrevista ao jornal “O Combate”, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Juiz de Fora, Silas Batista da Silva, fez uma avaliação do primeiro ano do ex-deputado federal do PSL, Jair Bolsonaro, na presidência da República, e falou da campanha salarial dos trabalhadores do comércio de Juiz de Fora na negociação coletiva com o Sindicato patronal (Sindicomércio-JF).

O Combate: Qual a avaliação que você, como líder trabalhista, faz do governo Bolsonaro para os trabalhadores de modo geral?

SILAS: Estamos vendo, desde o princípio, que esse governo tem focado sempre o alvo errado. Ele tem dito que o trabalho formal tem que se aproximar ao máximo do trabalho informal sem direito nenhum. Ele quer que o servidor público, que tem uma remuneração razoável, desça do seu patamar também. Vivemos num país que tem uma desigualdade social muito grande. Já está bem delineado que ele não tem compromisso absolutamente nenhum com o social. Por isso, quando a gente pega todos os indicadores internacionais, inclusive o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que saiu recentemente, vemos que o Brasil, que é a sétima economia do mundo, é o maior concentrador de renda do mundo, perdendo apenas do Catar. Então, onde está a concentração desse dinheiro para ser distribuído? Só que ao invés de concentrar o seu governo nessa distribuição de renda, ele tem feito exatamente o inverso, contemplando o capital. Então, para o trabalhador e a sociedade de modo geral, ele já disse a que veio: contemplar o capital em detrimento do social, da cidadania e do povo brasileiro.

O Combate: E especificamente para os trabalhadores do comércio?

SILAS: Estamos numa luta muito grande em nível de Confederação, Federação e Sindicatos, especificamente na nossa categoria, enfrentando as questões do trabalho aos domingos e feriados, banco de horas, etc. Aí vem esse governo inconsequente, num momento atrás de outro, editando Medidas Provisórias que não preenchem os requisitos mínimos (as Medidas Provisórias têm de ter relevância e urgência, mas as dele não têm nem uma coisa e nem outra), e ele, alheio ao Congresso Nacional e atropelando também o Supremo Tribunal Federal, vai editando, uma atrás da outra, Medidas Provisórias que são danosas tanto para o trabalhador quanto para o povo brasileiro. Então, também para os comerciários, a situação não tem sido diferente. Ele editou uma Medida Provisória flexibilizando domingo e feriados. E o pior de tudo isso é que essa Medida Provisória visa especificamente a carteira verde e amarela. A justificativa que ele faz da Medida é exatamente esta: a carteira verde e amarela. Mas logo em seguida ele vem fazendo uma modificação na legislação trabalhista como um todo ao seu bel prazer, ou seja, ao bel prazer do que ele acha e do que ele pensa. É um inconsequente, um irresponsável. A propósito, um dos grandes problemas desse governo é que ele se acha unânime. Ele não é um democrata. Não aceita o controverso. Ele já demitiu ministro por telefone, por entrevista, e vai assim. Então, ao invés de ser um democrata, que convive respeitando as diferenças, ele é muito ditatorial. Ele é democrata desde que se faz o que ele faz, o que ele pensa, o que ele acha certo. Aí é complicado. Nélson Rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”.

O Combate: Como está a campanha salarial dos trabalhadores do comércio de Juiz de Fora na negociação coletiva com o Sindicato patronal?

SILAS: Dentro desse cenário todo, e esse governo colocando em dificuldades todos os trabalhadores, não só do comércio como também de todas as categorias, a situação está muito difícil para nós, porque todas as moedas de barganha que nós tínhamos, ele entregou para o capital, de mão beijada, através da reforma trabalhista e através de Medidas Provisórias (aquelas que não passaram na reforma). Então, as dificuldades têm sido muito grandes. Tanto é que a nossa data-base é 1º de outubro e até hoje, em dezembro, ainda não fechamos acordo. E não vislumbro nenhum acerto definitivo para este mês também, porque o trabalhador não tem mais nada a perder. Já perdeu tudo e mais alguma coisa. Não tem mais onde fazer concessão. Está difícil para nós a negociação diante do capital, que tem respaldo governamental por meio de Medidas Provisórias. Sabemos que a Medida Provisória que aí está não vai emplacar, conforme outras tantas não emplacaram porque também eram Medidas irresponsáveis e inconsequentes desse governo que aí está. Mas enquanto isso, a “lei” que vale é a Medida Provisória, e o trabalhador vai pagando o preço, sendo que, para o trabalhador do comércio, a situação não é diferente, ou seja, a dificuldade também é grande.


“… O anjo, porém, lhes disse: Não
temais, porquanto vos trago novas
de grande alegria que o será para
todo o povo: é que vos nasceu hoje,
na cidade de Davi, o Salvador, que
é Cristo; o Senhor”.
(Evangelho de Lucas 2:l0-11)

Eis a mensagem com a qual queremos enviar o nosso abraço fraterno a todas as pessoas que neste momento festejam o Natal do Filho de Deus.

Ao findar mais um ano, desejamos agradecer a todos que colaboraram, de uma ou de outra maneira, para o fortalecimento da nossa laboriosa categoria profissional.

Queremos agradecer especialmente aos nossos companheiros comerciários que estiveram ao nosso lado no decorrer do ano de 2019, lutando por melhores salários e melhores condições de vida e de trabalho.

A todos, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

São os sinceros votos do

SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE JUIZ DE FORA

Silas Batista da Silva
Presidente
Diretores e funcionários


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